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Universal no Oriente Médio:

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Nos últimos anos, quem acompanha de perto a indústria de entretenimento e experiência percebeu um movimento claro: o Oriente Médio deixou de ser promessa e passou a ser prioridade estratégica para grandes marcas globais.

Segundo informações do The Wall Street Journal, a Universal Parks & Resorts, unidade da Comcast, está em estágio inicial de planejamento para construir um novo parque temático na Arábia Saudita, possivelmente dentro do megaprojeto Qiddiya. O modelo seria semelhante ao adotado recentemente pela The Walt Disney Company em Abu Dhabi: licenciamento da marca, com investimento majoritariamente local e sem aporte direto de capital da operadora do parque.

Esse detalhe muda tudo.

Um modelo que a Disney já domina na Ásia

Esse formato não é novo para a Disney. Pelo contrário: ele já é amplamente utilizado na Ásia há décadas.

Parques como:

Tokyo Disneyland

Tokyo DisneySea

Hong Kong Disneyland

Shanghai Disneyland

operam sob modelos de licenciamento ou joint ventures, nos quais investidores locais assumem grande parte do capital e do risco, enquanto a Disney entra com:

• propriedade intelectual

• know-how operacional

• padrões de experiência e governança

Esse modelo permitiu à Disney expandir fortemente sua presença na Ásia com menor exposição financeira, ao mesmo tempo em que mantém controle rigoroso sobre qualidade, narrativa e consistência da experiência.

O movimento em Abu Dhabi segue exatamente essa lógica, agora aplicada ao Oriente Médio.

O que está realmente em jogo

Esse movimento não é apenas sobre abrir novos parques. É sobre reposicionamento estratégico, risco financeiro e crescimento sustentável.

Historicamente, parques temáticos exigem:

• investimento bilionário

• longos prazos de maturação

• alto risco operacional

Ao optar por modelos asset-light (modelo de negócio no qual a empresa cresce e gera receita sem precisar investir pesado em ativos físicos próprios)., como os usados pela Disney na Ásia, em Abu Dhabi e agora estudados pela Universal na Arábia Saudita, essas empresas:

• reduzem drasticamente risco financeiro

• aceleram retorno sobre a marca

• expandem presença global sem comprometer balanço

O parque da Disney em Abu Dhabi deve ser acretivo ao lucro desde o primeiro dia, algo raro quando a empresa constrói e opera integralmente um parque.

Universal acelera para alcançar a Disney

A Universal vem, claramente, em uma estratégia agressiva de expansão global.

Além dos parques já existentes em Orlando, Hollywood, Osaka, Pequim e Singapura, a empresa:

• inaugurou recentemente o Universal Epic Universe em Orlando

• anunciou um parque de menor escala no Texas

• confirmou um parque completo no Reino Unido

O Epic Universe, inclusive, aumentou significativamente a competitividade da Universal frente à Disney em Orlando, especialmente no quesito inovação, IPs e proposta de valor para novas gerações.

Entrar no Oriente Médio nesse momento não é coincidência. É leitura estratégica de mercado.

Por que o Oriente Médio se tornou tão atrativo

Países como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos estão investindo pesado para:

• diversificar economias além do petróleo

• criar polos globais de turismo e entretenimento

• atrair marcas icônicas que funcionem como âncoras de destino

O parque da Disney em Abu Dhabi, por exemplo, estará em uma ilha que já abriga:

• Fórmula 1

• Ferrari World

• Warner Bros World

• SeaWorld

Qiddiya segue a mesma lógica: um ecossistema completo de entretenimento, inspirado em modelos já testados com sucesso na Ásia.

Os desafios que não podem ser ignorados

Apesar da atratividade financeira, o Oriente Médio traz complexidades importantes:

• clima extremo, exigindo parques indoor ou operação noturna

• questões culturais e regulatórias sensíveis

• críticas globais relacionadas a direitos humanos e inclusão

A Disney já enfrentou questionamentos após o anúncio de Abu Dhabi. A Universal, caso avance na Arábia Saudita, inevitavelmente passará pelo mesmo escrutínio.

Aqui, a gestão da experiência vai muito além do entretenimento. Envolve reputação, valores, narrativa de marca e decisões estratégicas de longo prazo.

Minha leitura como especialista em experiência e estratégia de marcas

Esse movimento deixa um aprendizado claro para líderes e empresas, mesmo fora do setor de parques:

Experiência não é só produto. É modelo de negócio.

Disney e Universal estão mostrando que:

• marca forte permite novos formatos de expansão

• experiência bem gerida pode ser licenciada sem perder valor

• cultura, governança e estratégia precisam andar juntas

No fim, a disputa no Oriente Médio não é apenas Disney vs Universal. É quem consegue escalar experiência, relevância e rentabilidade ao mesmo tempo, em mercados culturalmente complexos e altamente competitivos.

- Artigo Juliana Oliveira, Vice-Presidente no Seeds of Dreams Institute

E neste ano estaremos em Singapura, Pequim e Shanghai, em nossa imersão Clientologia Extreme Asia.

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